Tudo é espiritual, até eu!
Espiritualidade
Cristão cartesiano?
02/04/10
Gosto bastante de filosofia! É uma praia que muito me chama a atenção. São tantas vertentes diferentes. Tantos caminhos, tantos modos de pensar, tantas resoluções distintas. Mas, todas envolvem algo em comum: o pensamento. Sem este não haveria sequer Filosofia. Em última instância todos somos filósofos. Ou pelo menos fomos na adolescência. Naquele período de intensos questionamentos. E filosofar é isto: questionar, indagar, pensar.
Gosto do termo reflexivo. E gostei mais ainda do termo “cristão reflexivo”. Não quero fazer alusão à denominação, rótulo ou placa. Não tenho esse espírito sectarista, aliás, tenho aversão ao sectarismo (e vez ou outra isso acaba por me tornar um sectário – rs). Estou querendo dizer que últimamente são poucos os cristãos que pensam. Que questionam, que indagam, que buscam conhecimento. A maioria se deleita em experiências místicas e sobrenaturais (não gosto de usar “espiritual” para descrever fenômenos que fogem ao comum. Para mim espiritual é uma condição permanente do ser, ora mais desenvolvida, ora menos desenvolvida). Se satisfazem (e as vezes não) com um “sharabakantas kanthiunévias ripalahiah dekanthas cih”, ou com a “unção” da última moda (ou, como dizem, do mais novo Mover de Deus!). E buscam uma “intimidade” com Deus que é traduzida em demonstrações públicas de “espiritualidade”, como chorumelas extravagantes, movimentos macacológicos durante a adoração e estripulias impudorosas (não estou a julgar nenhuma dessas manifestações).
A questão é que, tudo isso se resume a apenas isso. Esses irmãos tornam-se ovelhas demasiadamente ingênuas, ignorantes e infrutíferas em seu cercos religiosos. Vítimas de lobos indecorosos e gananciosos em sua estirpe. E se ao menos esses cristãos pensassem um pouco? Não teríamos tanta ridicularização no meio evangélico. São tantas babaquices espalhadas por diversas denominações que isso me assusta. São apenas zumbis que esses líderes do inferno brincam de “vivo”, “morto”. São massas inteiras. Um povo ignorante e pouco preocupado com a Verdade. Seguem ventos de doutrinas, sofismas e falácias com tanta facilidade que acabam por perder a identidade respaldada pelo Evangelho de Jesus Cristo. Muita coisa que vemos por ai não tem nada haver com as Boas Novas de Cristo. Mas nada mesmo…
Estou lendo sobre o Cartesianismo. Uma linha de pensamento da filosofia que tem por principal representante, Descartes. O Cartesianismo explora o questionamento da Religião, da Política, da Moral, da “verdade”. Esse pensamento influenciou os franceses na Revolução, e inspirou tantos outros revolucionários a se posicionarem contra as mazelas em que encontravam-se escravos. O pensamento Cartesiano gera uma insafisfação com o mundo mastigado posto diante de você.
Não tenho gabarito o suficiente para discorrer a respeito do Cartesianismo. E me limito a parar por aqui. A questão que deixo é: Porque quando as pessoas te olham como “crente” ou “evangélico” já pressupõem que você não é muito inteligente? Te veem como um fanático não dotado de cultura? Sequer travam uma discussão política com você por acharem que você não é nem um pouquinho politizado?
Já tive líderes que me achavam insubordinado e rebelde. Não desobediente. Mas, contudente…
Nunca gostei de ser manipulado. O próprio Espírito Santo não me manipula, antes me conduz, me direciona, me compele, me inspira, me atrai, me consola…
Acho que se nós cristãos fossemos mais reflexivos, não caíriamos em tantas tolices como últimamente temos testemunhado.
Não existe essa tal felicidade
15/03/10
Tão pouco é necessário para a tal felicidade!
Na verdade, me esclarecendo melhor, não acredito na felicidade. Não como um estado permanente. Não como um objetivo último alcançável. Acredito em momentos felizes.
Ficar correndo atrás da felicidade como se esta fosse um bem durável é pura tolice. Não há felicidade que dure, nem sofrimento que não acabe, certo?!
Um bom filme me faz feliz. Uma boa conversa me faz feliz. Uma boa comida me faz feliz. Um bom banho me faz feliz.
Felicidade são fragmentos de alegria e contentamento. A linha de pensamento capitalista usurpou a felicidade e faz dela o mote para autopreservação. Embora pequenos eventos ou bens possam trazer felicidade, não é isso a essência de estar feliz. Quando você adia sua felicidade por causa do que deseja, sendo isso o que ainda não tem, você se torna cativo da cíclica lógica capitalista do consumismo. Quando deixo para ser feliz apenas quando consigo o que quero, me lanço em momentos de sofrimento, agonia e angústia.
A disciplina correta seria desejar o que se tem. Dar valor ao que se possui. E desfrutar disso felizmente. O que ainda não tenho, mas gostaria de ter deve ser apenas um item que pretendo ter e nada mais. Não deveríamos jamais adiar a felicidade em função de desejos postergados. Porque, afinal, não existe essa tal felicidade que todos a perdem a procurando.
Feridos em nome de Deus
11/03/10
Ao mesmo tempo que percebo um certo aumento de pessoas abandonando igrejas por inúmeros motivos, certos ou errados, também vejo o crescimento de pessoas que, na maioria sem senso crítico acurado, se entregam literalmente de corpo e alma para estruturas religiosas que servem de impérios pessoais.
O que está acontecendo eu não sei. Mas, sei que no meio dessa “zona” há muitos que são feridos e magoados de formas diversas. O modelo hierárquico instalado nas igrejas autoriza homens travestidos de “ungidos” a, em nome de Deus, causar sofrimentos em crentes ingênuos, ou ignorantes, ou obedientes, ou passivos o suficiente para delegarem suas vidas nas mãos de crápulas cheios daquelas boas intenções das quais o inferno está abarrotado.
É nesse contexto de abuso espiritual que a jornalista Marília de Camargo César traz relatos de histórias de pessoas machucadas por seus líderes, por suas igrejas e por pessoas a quem tinham por “santas”, em seu livro “Feridos em nome de Deus“.
Para quem conhece bem o cenário evangélico no Brasil, tomar conhecimento de histórias de pessoas que foram/estão feridas por causa de limites ultrapassados na relação líderança/liderados não soa nada novo; deveria soar preocupante. Mas, infelizmente esse tipo de abuso só vem ganhando maiores incidências. O livro vem em momento oportuno e urgente. É preciso despertar as pessoas com uma fé frágil e manipulável para a realidade dos sistemas religiosos a que estão inseridas.
Marília de Camargo César, de forma bem sóbria e responsável, traz em seu livro o resultado de entrevistas e pesquisas que procuram apontar um alerta para a igreja: pessoas estão sofrendo abusos e sendo violentadas por líderes eclesiais. E essa violação vai da psiquê ao físico da vítima de “homens e mulheres de Deus” cujo comprometimento maior é com o poder que exercem como tais.
Não pense que este livro não se encaixa a você porque acha que não é um ferido em nome de Deus ou uma vítima de abuso espiritual. A pessoa que sofre essa moléstia dificilmente irá perceber a tempo de buscar ajuda tanto na literatura quanto em ombros e conselhos sábios. Então, principalmente para quem pode ajudar alguém que esteja nessa triste situação é que a leitura faz-se importante.
Vale ressaltar a imparcialidade no trato com o tema. Embora a tendência seja execrar os responsáveis por infligir autoridade doentia sobre os crentes, a escritora mostra também o outro lado; muitas vezes o líder que abusa da dedicação, lealdade e fé de um membro, é antes de todos vítima do próprio sistema. Muitas vezes ele não perceberá que está ferindo pessoas e pisando em cima dos membros em nome de um ministério bem sucedido. Não são todos que têm a cara-de-pau de abusar conscientemente dos membros subordinados.
Se você é líder, seria de grande valia refletir nisso e ler os relatos de pessoas que chegaram ao ponto de abandonar Deus por causa de líderes cujo ministério não tinha nada de pastorear pessoas.
O problema do prazer
11/03/10
De algum modo, os cristãos adquiriram a reputação de serem contra o prazer, apesar de acreditarem que o prazer foi invenção do próprio Criador.
Temos que fazer uma escolha. Podemos apresentar-nos como pessoas rígidas, enfadonhas, que são privadas, sacrificialmente, de metade da graça da vida, limitando nosso deleite no sexo, nos alimentos e em outros prazeres dos sentidos. Ou podemos dispor-nos a aproveitar ao máximo o prazer, o que significa usufruir dele da maneira que o Criador pretendia ao nos moldar.
Nem todos adotarão a filosofia cristã do prazer. Alguns céticos zombarão de qualquer insistência quanto à moderação, com uma atitude de condescendência. Para estes, tenho algumas perguntas simples. Por que o sexo é prazeroso? Por que é gostoso comer? Por que existem cores? Ainda estou à espera de uma boa explicação que não inclua a palavra Deus.
Como abordado por Philip Yancey no texto acima, os cristãos geralmente são tidos por inimigos do prazer. Somos muito mais apontados pelo nosso estilo de vida restritivo e sacrificial no tocante aos prazeres do que pelo amor de uns pelos outros (João 13.35).
O mundo conhece-nos pelo que não fazemos: “Eles não bebem cerveja (não me incluo nessa), não fumam (acho nojento), não dançam (sou simplesmente ridículo dançando) e não contam piadas (prefiro rir delas)!”. Normalmente, é assim que as pessoas se referem aos “crentes”.
Lembro-me de ouvir casos que me estarreciam e até me divertiam: “Naquela igreja os casais têm que fazer sexo com a luz apagada para não incitar a concupiscência dos olhos; os lençóis tem os buracos necessários para o ato de forma que não precisem se despir; e devem evitar ao máximo tomar banho de todo pelado para não ocasionar que Jesus volte e deixe-o, por pegá-lo tão desprevinido!”.
A igreja perdeu muito tempo encabeçando sua lista de prioridades com investidas contra o prazer. Por conseguinte, poupou a simpatia das pessoas. Segundo G.K. Chesterton, “o modo apropriado de agradecer por tudo é através de uma forma de humildade e restrição. Deveríamos agradecer a Deus pela cerveja e o vinho da Borgonha não bebendo muito deles”. O prazer, diferentemente de como a igreja o tem tratado, é dádiva de Deus.
Um Deus bom e amoroso naturalmente iria desejar que suas criaturas sentissem prazer, alegria e satisfação pessoal. Philip Yancey.
Deveríamos usufruir do sexo de forma plena e grata através do casamento (monogamia). Não, deturpando e profanando tal dádiva com a promíscuidade. Deveríamos apreciar os alimentos e as bebidas na sua diversidade paladar. Não desonrando tais dádivas com glutonaria e dependência.
É interessante que o livro de Eclesiastes trata de forma extremamente radical o problema do prazer. O autor mostra-nos que quando fazemos mal uso do prazer em nossa vida, esta perde todo o sentido, então tudo se torna vaidade e correr atrás do vento. Na opinião de Chesterton, a promiscuidade sexual descrita em um livro como Eclesiastes (o autor presumido tinha 700 esposas e 300 concubinas – hummmn!) não supervaloriza o sexo; antes, desvaloriza-o.
Reclamar de só poder me casar uma vez é como reclamar de só ter nascido uma vez. Essa reclamação era desprorcional à excitação terrível da qual se falava. Mostrava não uma sensibilidade exagerada ao sexo, mas uma curiosa insensibilidade a ele… A poligamia é a ausência de realização sexual; é como um homem que colhe cinco pêras sem prestar qualquer atenção a elas.
Concluímos a dicotomia que é o prazer. É um grande bem e um grande perigo. Quando buscamos o prazer como um fim em si mesmo, corremos o iminente risco de perder o foco da origem do prazer: Deus. Tornamo-nos vazios e insatisfeitos, ao invés de, realizados e gratos.
Como cristãos deveríamos mostrar ao mundo que momentos de prazer são vestígios assim como os objetos levados para a praia depois do naufrágio. São como bocadinhos do Paraíso dispersos pelo tempo.
Palavras da Salvação ou da Capitalização?
10/03/10
“E chamando a si a multidão com os discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me.
Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, salva-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que daria o homem em troca da sua vida? Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seu domésticos?
Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de ser descoberto, nem oculto que não haja de ser conhecido. O que vos digo às escuras, dizei-o às claras; e o que escutais ao ouvido, dos eirados pregai-o.
Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a sua filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa.
Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.
Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim acha-la-á. Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro para calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar? Para não acontecer que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pode acabar. Ou qual é o rei que, indo entrar em guerra contra outro rei, não se senta primeiro para consultar se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil?
No caso contrário, enquanto o outro ainda está longe, manda embaixadores, e pede condições de paz. Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo.
Como dizem nossos irmãos católicos: Palavra da Salvação…
Quanto mais me deparo com as palavras de Jesus mais repuno e regorgito essa onda do Evangelho Superman, do Evangelho Capitalizado. Super-Apóstolos, Super-Bispos e Super-líderes que estupram as mentes de cidadãos fracos e pobres de espírito (bem-aventurados) que, diante da miséria e pobreza em que vivem, engolem fácil e até mesmo com esperança esse evangelho podre e sujo da Prosperidade.
Apelam para promessas veterotestamentárias com sagaz imaginação e eloquência (característica indispensável aos portadores da Teologia da Prosperidade) e conduzem massas inteiras a acreditar que “são Cabeça e não Cauda”. Fazem como Jacó que cobiçou a benção do irmão mais velho e intrometeu-se a ponto de torna-la para si. Esses vendedores de esterco cobiçam bençãos direcionadas a Israel enquanto nação e floreiam e adaptam (com um sentido “espiritual” do texto) trechos que nada dizem respeito à Igreja.
O povo, coitado, face ao descaso do Estado e a condição de pais que precisam sustentar sua casa, mães solteiras, empresas falidas, e, dificuldades finaceiras seguidas de enormes dívidas, se entrega entorpecidamente à esse apelo imoral dos Super-homens-de-Deus em seus carrões do ano, suas mansões, suas gordas contas bancárias e suas caras deslavadas e hipócritas.
Não, não consigo concatenar as palavras duras e difíceis de seguir de Jesus com esse Evangelho da Prosperidade. Não imagino Pedro voltando-se para aquele mendigo à porta do templo dessa forma: “Sou cheio de ouro e prata, é tudo que tenho; Deus me deu. Deus não quer vê-lo assim. Se você for um dizimista fiel e um generoso ofertante do pouco que tens, Deus fará descer chuva de bençãos sobre sua vida… e talvez, possa até comprar uma cadeira de rodas motorizada!”
Neste vídeo, o teólogo e escritor, John Piper, desce a ripa na Teologia da Prosperidade. #recomendo
Como eu reagiria?
10/03/10
Fico imaginando, se tivesse a oportunidade de ter sido contemporâneo de Jesus, que tipo de pessoa seria. Quando leio os Evangelhos procuro sentir empatia de cada indivíduo ou grupo posto diante da mensagem e da pessoa de Cristo. Ora sou um judeu desiludido como o domínio romano sobre a nação. Ora um pecador rejeitado e sem dignidade, talvez um publicano, um ladrão, assassino ou prostituta. Quem sabe, um leproso ou um endemoninhado. Ou um enfermo, coxo, cego, surdo ou paralítico. Talvez um fariseu, um versado na lei, um zelote como Pedro, um saduceu ou essênio. E se fosse um servidor romano? Um gentio grego ou, possivelmente, um samaritano? Um mendigo ou um jovem rico?
A questão é como eu reagiria àquele homem? Interessaria-me ou não pela sua mensagem? Desejaria ou não segui-lo? Amaria ou não? Entenderia ou não? Talvez fizesse parte do coro: “Crucifica-o!”? Gostaria de saber.
Não posso deixar de pensar caso não houvesse nascido num país “cristão”. Teria recebido as boas novas do Evangelho caso fosse um hindu? Ou um muçulmano? Um budista? Um satanista? Seria fácil aceitar uma proposta de vida totalmente nova? Encontraria sentido na encarnação, na cruz, ressurreição, na salvação e na graça? Não sei dizer. Só posso conjeturar.
Posso não chegar a nenhuma conclusão. Mas, para mim, é um exercício de fé. Torno-me mais próximo dos distintos tipos de pessoas. Fico sensível ao contexto de vida de cada indivíduo ou grupo. Então, “sendo livre de todos, faço-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. Procedo, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim o vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei. Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei. Faço-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Faço-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de cooperar com ele.” (I Coríntios 9.19-23).
Quando choro com o que chora, torno o Evangelho acessível tanto quanto Jesus o tornou aos pobres por meio da sua pobreza.
Lembro-me da cena que me foi contada por uma amiga. Ela conta que durante um culto em sua igreja, enquanto todos cantavam e erguiam as mãos “adorando extravagantemente”, notou uma jovem ao fundo que chorava sozinha. Pensou se ninguém havia visto a menina naquele estado. Então, enquanto a jovem corria para fora despercebida, a seguiu rapidamente e foi em seu encontro. Perguntou de onde ela vinha, ao que respondeu:
- Vim da renovação carismática!
Minha amiga conta que ficou tão indignada que sentiu vontade de dizer-lhe para voltar de onde vinha, porque ali ninguém dava a mínima para os seus problemas.
Até quando ficaremos brincando em volta do próprio umbigo? Quando faremos tudo por causa do Evangelho e cooperaremos com ele?
Gostaria de saber como eu reagiria àquela igreja no lugar daquela jovem!
U2: música com relevância
09/03/10
Em pensar que um dia minha consciência religiosa evangélica doeu por escutar “música mundana”.
Ainda bem que não tomei a pílula azul… Ah, como a Verdade liberta! Desde que os escutei, sempre apreciei o som do U2 e sua poesia. Isso, sim, é unção!
Recomendo a leitura para os “ouvidos-santos”, do livro Walk on – A jornada espiritual do U2 escrito por Steve Stockman. O livro aborda com bastante pertinência o caráter de exclusão da igreja e sua alienação com o mundo de hoje, negando dessa forma aos maiores necessitados – os doentes e os injustos – a Graça oferecida por Jesus. Para quem curte a banda, leitura altamente recomendada. Ao contrário de sua circulação ser “secular”, o autor fala diretamente com a igreja.
Graças a Deus, eles não deram ouvidos a “profetas” alienados, que os aconselharam a abandonar o rock e se enfornarem dentro de uma igreja!
Sei que os vídeos já são old, mas, com certeza tem quem não viu ainda, né?! Com a palavra, o Reverendo Bono:
Bono fala da Graça. Parte 1:
Bono fala da Graça. Parte 2:
Bono fala para 70.000 pastores. Parte 1:
Bono fala para 70.000 pastores. Parte 2:
Minha paciência também se esgotou…
06/03/10
Não preciso de igreja para nada, não preciso de amigos circunstanciais. Busco Deus o dia inteiro, o tempo todo. Procuro dar bom exemplo para minha família, ser boa filha, boa prestadora de serviços para meus clientes. Procuro ser uma pessoa do bem. Estou em paz com isso e estou sempre dizendo a Deus que ele pode contar comigo. Não quero mais participar de palhaçadas. Não tenho mais tempo nem gás para isso. Minha paciência com os evangélicos se esgotou.
Não são minhas palavras, são de uma das pessoas com uma triste história de abuso espiritual, que constam no livro “Feridos em nome de Deus” escrito pela jornalista Marília Camargo de César; mas, quando as li foi como se saíssem da minha própria boca.
Embora muitos possam pensar, não me julgo ferido em nome de Deus. Mas, experimentei muito do que podemos chamar de manipulação e autoridade espiritual. Felizmente nunca tive dificuldade de separar Deus dos “homens de Deus”. E isso me foi de grande ajuda, caso contrário também poderia ser parte de incontáveis histórias de pessoas machucadas e prejudicadas por causa de um sistema divinamente cruel. Ver as pessoas se queimando já foi o bastante para eu nem tentar brincar com fogo!
Ainda não terminei de ler o livro! Por isso não darei maiores considerações sobre o mesmo!
Mas, precisei compartilhar esse excerto com vocês!
Superman, o salvador da humanidade?
03/03/10
Embora tenhas sido criado como um humano, não és um deles. Eles podem ser um grande povo, Kal-El, desejam sê-lo. Só lhes falta a luz para mostrar o caminho. Por essa razão e, acima de tudo, pela capacidade deles de fazer o bem, eu te enviei a eles, meu único filho.
Embora as palavras acima possam ser ditas por Deus Pai à Jesus Cristo, são de Jor-El para Kal-El, popularmente conhecido como Superman, ou Clark para os mais chegados e conhecedores do seu segredinho.
De todos os super-heróis, o meu preferido sempre foi o Superman. Desde criança a personagem de capa vermelha me cativou. É dos pouquíssimos heróis cuja a vida dedicada à justiça e proteção dos fracos e oprimidos não é fundamentada em questões de vingança, ódio, trauma ou mágoa com alguma injustiça emblemática.
Batman se torna um herói excêntrico e sombrio. Devo dizer que é um dos meus heróis de quadrinhos prediletos também. Mas, seu altruísmo, por assim dizer, vem de razões menos louváveis que a do Super. Vítima quando criança da violência e do crime ao ver seus pais serem assassinados, Bruce Waine, alter ego do Cavaleiro das Trevas, se embrenha num caminho de vingança generalizada que acaba por torná-lo um justiceiro mascarado.
O Homem-Aranha também é super legal. Mas, o fato de se tornar um herói é meio que coincidência. Um nerd marginalizado entre a galera não tem muitas opções quando se vê com super poderes: ou se torna um vilão ou se torna um herói.
Mas, o Super é diferente. Há algo nele que me prende. Ele é o cara que foi criado por pais amorosos e presentes. É o cara que sempre se sentiu sozinho por não ser desse planeta. Mas, que sempre se sentiu como parte dos humanos. Se tornar um herói para ele foi algo de sua natureza. Ele foi criado para isso. Para amar, proteger e se dar pelos outros. Acho que de todos os heróis, Superman é o único com uma família bem ajustada. É interessante pensar nas implicações disso, já que Batman perde seus pais bem cedo e se torna um herói amargo. Homem-Aranha é criado por seus tios, embora ótimos, não são seus pais.
De todos os heróis, o Super é o todo certinho. O grande escoteiro da turma. O educadinho. Pense no poder que ele detém. Qualquer humano teria se corrompido facilmente com todas as capacidades que o Superman apresenta. Os homens se corrompem por menos. Se perdem em si mesmos com poderes menores. Imaginem então com poderes como super-força, como invunerabilidade, super-audição, visão de raio-X, cuspir fogo pelos olhos, super-sopro, super-velocidade… e o tão sonhado, poder de voar. Há líderes que apenas com carisma já fazem um tremendo estrago na massa ignorante. Vide o recente movimento neopentecostal ou neoevangelical. Agora imagine com super poderes? Dominariam os fracos, subjugariam as massas e iriam se impor como líderes! Bem, parece que isso já fazem apenas com a cara-de-pau e com o carisma, então imagine o tamanho do problema…
A questão é que somos corruptíveis. Eu mesmo já posso imaginar um bela de uma utilidade para visão de raio-X. Oh, Deus e que utilidade!
Talvez o que me cativa no Superman como herói é a analogia com meu super herói real, Jesus Cristo. Como Jesus, Superman também foi enviado à Terra por seu pai; é criado por uma ótima família escolhida a dedo; não é deste mundo; se torna o salvador dos homens; se torna líder; como Jesus, Superman a despeito dos seus poderes, os usa para os outros, e escolhe servir ao invés de dominar e se impor.
Enfim, são tantas as metáforas livres que podemos fazer entre Jesus Cristo e Superman… Embora alguns crentes sempre prefiram ver o diabo em tudo. Qualquer coisa que caia do céu é um anjo caído, no caso. Então logo o Superman não passaria de uma analogia para o tinhoso. Que fiquem procurando o diabo. Eu prefiro encontrar Deus nos lugares mais inesperados.
Mas, há uma coisa que os “crentes” parecem apreciar na semelhança do Superman com Jesus Cristo. Mesmo que inconscientemente, os “evangélicos” andam à procura de um Jesus Cristo que se pareça com o Super não nas atribuições de servo, mas de homem de aço. Eles querem um Jesus Cristo que os revistam de invulnerabilidade. Que os livrem de tragédias e contigências da vida. Que os cubra com um manto de proteção especial. Por que crente nunca se f#de em nada, e se for crente de verdade nem pode. Porque são filhos do Rei e blábláblá. São crentes que vislumbram um Cristo com super-poderes, milagreiro, e que livra indiscriminadamente aqueles que “declaram” com fé a “vitória”.
Mas, o Jesus Cristo que enxergo nos Evangelhos não me parece ser o tipo que se presta ao favoritismo. Aliás, há uma diferença no modus operandi entre Jesus Cristo e Superman, no que diz respeito a salvar a humanidade. Jesus Cristo é do tipo que não infantiliza os homens e não interfere com “milagres” rotineiros. Ele sabe que esse tipo de intervenção não fará com que os homens amadureçam. Jesus Cristo evita apelar para soluções que extrapolem a realidade. Ele ensina o amor, o respeito e o altruísmo. Ele ensina a paz, a fé e a esperança. Já Superman é do tipo que vive fazendo “milagres” – ou leia-se salvamentos e livramentos – que fazem com que os homens se acostumem a sempre olhar para o céu e esperar vir ajuda sobrenatural. Se acostumam com a injustiça e nada fazem porque há quem sempre intervenha. Se acostumam em nada fazer para salvar o próximo com as próprias mãos e com os próprios recursos naturais porque creem que Superman está aí pra isso, e com recuros sobrenaturais. Jesus Cristo sabe que para salvar a humanidade é necessário uma ação subversiva. Por isso ao invés de escolher ficar “salvando todo mundo”, andando sobre as águas, multiplicando comida, curando enfermidades até que todos estivessem totalmente confortáveis e dependentes de ações sobrenaturais, escolheu não salvar a si mesmo e mostrar que o jeito é morrer para ganhar a Vida. Mas, Superman parece que ainda não aprendeu. Prefere idiotizar os homens deixando-os sempre dependentes de um super-herói cuja razão de viver redunda em fazer “milagres”. Jor-El disse que o enviou para ser luz, mas ele acabou sendo muleta.
Nesse sentido, embora Superman me encante no mundo dos quadrinhos, na vida real é Jesus Cristo quem me influencia e me leva ao amadurecimento da fé e do amor ao próximo. É Jesus Cristo a Luz dos homens. Os evangélicos, de modo geral, ultimamente parecem estar adorando Jesus Cristo apenas nominalmente, porque pelo modo como andam vivendo e pregando, é o Superman quem eles preferem.
O livro mais mal-humorado da Bíblia
27/02/10
A acidez da vida e a sabedoria do Eclesiastes
O livro veterotestamentário da Bíblia, Eclesiastes, com sua autoria atribuída ao rei de Israel Salomão, é uma das leituras mais indigestas das Escrituras. Eu particularmente como realista que costumo ser, logo muitas vezes pessimista no limite da medida, sou muito atraído a fazer coro com o escritor em suas divagações sobre o sentido da vida.
Ed René Kivitz disseca a mensagem do Eclesiastes numa busca sincera, sóbria e bem clara das constatações de um homem que experimentou tudo aquilo que nossa sociedade procura com tanto afinco: dinheiro, sexo e poder; claro que sobre a premissa de estar à procura da felicidade. Mas, não se intimidem com o fato do livro se basear num escrito pessimista e carregado como Eclesiastes porque mesmo assim a leitura que Kivitz faz é leve e próxima da nossa realidade.
Ed René Kivitz inicia uma viagem e nos convida a refletir com ele sobre como vencer o tédio, o utilitarismo, a morte, a injustiça, a religião, o dinheiro, a pretensão, o crime, a fatalidade, a insensatez, a luta pela sobrevivência, o tempo e, por fim, a ausência de sentido que tantas vezes percebemos num momento ou outro de nossas vidas.
Endosso a leitura d’O livro mais mal-humorado da Bíblia, e recomendo o engajamento nessa busca por sentido e valor na vida. Afinal, contrariando “O pregador”, nem tudo debaixo do Sol é correr atrás do vento…
Uma sucessão de fatos sem sentido ou um conjunto de sentidos sem nenhum fato? Seria essa a vida que você deseja? Qual o tipo de vida que você tem vivido? Muitas pessoas passam anos de sua vida, senão toda ela, buscando um sentido para vivê-la. Alguns o encontram, outros não.No mundo de hoje é fundamental que o ser humano reflita sobre o tipo de pessoa que é e o que está construindo. Eclesiastes é fruto das reflexões de Salomão, o qual – após viver de tudo e desfrutar de tudo, depois de alcançar o trono de Israel, poder e riquezas – conclui que a vida não passa de “vaidade”.Ed René Kivitz investiga a mensagem deixada por Salomão em busca das respostas que a humanidade persegue desde os primórdios e com rara habilidade desvenda o nó da existência humana. Em sua releitura de Eclesiastes, Kivitz nos mostra que é possível vencer os amargos obstáculos da vida e ultrapassar as barreiras do tédio, do utilitarismo, da morte, da injustiça, da religião, do dinheiro, da pretensão, do crime, da fatalidade, da insensatez, da luta pela sobrevivência, do tempo e da ausência de sentido.Eclesiastes retrata a vida como ela é, suas facetas mais obscuras, sem floreios e amenizações. Ed René mostra que existe um sentido para nossa existência e permanência na Terra e revela como encontrar esse sentido tomando as decisões certas, atendo-se ao que realmente importa. Ele enfoca que, mesmo com tantas adversidades, a vida vale a pena ser vivida!
Livro: O Livro Mais Mal-Humorado da Bíblia
Editora: Mundo Cristão
Autor: ED RENE KIVITZ











