Tudo é espiritual, até eu!
Livros
Feridos em nome de Deus
11/03/10
Ao mesmo tempo que percebo um certo aumento de pessoas abandonando igrejas por inúmeros motivos, certos ou errados, também vejo o crescimento de pessoas que, na maioria sem senso crítico acurado, se entregam literalmente de corpo e alma para estruturas religiosas que servem de impérios pessoais.
O que está acontecendo eu não sei. Mas, sei que no meio dessa “zona” há muitos que são feridos e magoados de formas diversas. O modelo hierárquico instalado nas igrejas autoriza homens travestidos de “ungidos” a, em nome de Deus, causar sofrimentos em crentes ingênuos, ou ignorantes, ou obedientes, ou passivos o suficiente para delegarem suas vidas nas mãos de crápulas cheios daquelas boas intenções das quais o inferno está abarrotado.
É nesse contexto de abuso espiritual que a jornalista Marília de Camargo César traz relatos de histórias de pessoas machucadas por seus líderes, por suas igrejas e por pessoas a quem tinham por “santas”, em seu livro “Feridos em nome de Deus“.
Para quem conhece bem o cenário evangélico no Brasil, tomar conhecimento de histórias de pessoas que foram/estão feridas por causa de limites ultrapassados na relação líderança/liderados não soa nada novo; deveria soar preocupante. Mas, infelizmente esse tipo de abuso só vem ganhando maiores incidências. O livro vem em momento oportuno e urgente. É preciso despertar as pessoas com uma fé frágil e manipulável para a realidade dos sistemas religiosos a que estão inseridas.
Marília de Camargo César, de forma bem sóbria e responsável, traz em seu livro o resultado de entrevistas e pesquisas que procuram apontar um alerta para a igreja: pessoas estão sofrendo abusos e sendo violentadas por líderes eclesiais. E essa violação vai da psiquê ao físico da vítima de “homens e mulheres de Deus” cujo comprometimento maior é com o poder que exercem como tais.
Não pense que este livro não se encaixa a você porque acha que não é um ferido em nome de Deus ou uma vítima de abuso espiritual. A pessoa que sofre essa moléstia dificilmente irá perceber a tempo de buscar ajuda tanto na literatura quanto em ombros e conselhos sábios. Então, principalmente para quem pode ajudar alguém que esteja nessa triste situação é que a leitura faz-se importante.
Vale ressaltar a imparcialidade no trato com o tema. Embora a tendência seja execrar os responsáveis por infligir autoridade doentia sobre os crentes, a escritora mostra também o outro lado; muitas vezes o líder que abusa da dedicação, lealdade e fé de um membro, é antes de todos vítima do próprio sistema. Muitas vezes ele não perceberá que está ferindo pessoas e pisando em cima dos membros em nome de um ministério bem sucedido. Não são todos que têm a cara-de-pau de abusar conscientemente dos membros subordinados.
Se você é líder, seria de grande valia refletir nisso e ler os relatos de pessoas que chegaram ao ponto de abandonar Deus por causa de líderes cujo ministério não tinha nada de pastorear pessoas.
Minha paciência também se esgotou…
06/03/10
Não preciso de igreja para nada, não preciso de amigos circunstanciais. Busco Deus o dia inteiro, o tempo todo. Procuro dar bom exemplo para minha família, ser boa filha, boa prestadora de serviços para meus clientes. Procuro ser uma pessoa do bem. Estou em paz com isso e estou sempre dizendo a Deus que ele pode contar comigo. Não quero mais participar de palhaçadas. Não tenho mais tempo nem gás para isso. Minha paciência com os evangélicos se esgotou.
Não são minhas palavras, são de uma das pessoas com uma triste história de abuso espiritual, que constam no livro “Feridos em nome de Deus” escrito pela jornalista Marília Camargo de César; mas, quando as li foi como se saíssem da minha própria boca.
Embora muitos possam pensar, não me julgo ferido em nome de Deus. Mas, experimentei muito do que podemos chamar de manipulação e autoridade espiritual. Felizmente nunca tive dificuldade de separar Deus dos “homens de Deus”. E isso me foi de grande ajuda, caso contrário também poderia ser parte de incontáveis histórias de pessoas machucadas e prejudicadas por causa de um sistema divinamente cruel. Ver as pessoas se queimando já foi o bastante para eu nem tentar brincar com fogo!
Ainda não terminei de ler o livro! Por isso não darei maiores considerações sobre o mesmo!
Mas, precisei compartilhar esse excerto com vocês!
Resultado do Sorteio da Coleção Tolkien
01/03/10
Enfim, o cagão sortudo que ganhou a Coleção Tolkien [O Senhor dos Anéis 1, 2 e 3 + O Hobbit + O Silmarillion] da promoção mais enrolada da internet, foi revelado! Os que me acompanham no Twitter foram os primeiros a saber!
Mas, antes quero agradecer muuuuito a participação de todos que divulgaram a estreia desse novo blog por meio dessa promoção. Brigadão meeeesmo!
Infelizmente só posso dar os livros para uma pessoa… mas, torçam para que eu fique rico; assim em vez de apenas um ganhar, apenas um não ganha… rs
Usei o site random.org para sortear. Fazer papeizinhos e jogar para cima daria muito trabalho!
O cagão mesmo ganhador é o Cristiano Machado do blog Crentassos
Vejam os 60 participantes que concorreram no sorteio. #thanks
- Paula Cristina
- Everton Lopes
- Fernando Piva
- Will
- Cristiano Machado
- ALESSANDRO DE JESUS CASTRO
- César
- Luiz Cledio
- Felipe Stresser
- Aldo
- Filósofo Calvinista
- Thiago Azevedo
- Pereira
- Willy
- Giovani
- Kennedy Lucas
- Wesley Paixão
- Vitor Cid
- Fagner
- Gustavo Rafhael
- Jackson S de Jesus
- Mauro Jr
- Viviane Andrade
- Alex Rodrigues
- Renata Fitarony
- Joserilde “Joseload” Júnior
- Nilson Almeida
- Walfrido Oliveira
- Nelson Costa
- Lê
- Jonathas Tenório
- Joelson Gomes
- Emmanoel
- David Santos
- Fabiana da Silva
- Mirelli Lohaine Souza
- Rosangela Amarina
- Bárbara
- Gardenia Silva
- Bianca Malaquias Duarte
- Cassia Fracacio
- Sergio Moura
- Andressa
- Garon Piceli
- Carine de Araujo Lima
- Jonatas Tosta Barbosa
- Ana Carolina Cavoli
- Cláudia Anderson
- Roseli de Oliveira Santana
- Luciana
- Vitor Ferolla
- João Berkel
- Dalvan
- Werbevan
- Sol
- Cibele Abrahão
- Thiago Matso
- Daniel Peregrina
- William Koppe
- Juliana Diniz
Sorteio da Coleção Tolkien
27/02/10
Aê, galera! Está quase na hora de saber quem vai ser o cagão sortudo(a) que ganhará “de grátis”, sem pagar nada, de lambuja, “fácim, fácim” o kit Tolkien que consiste em cinco livros: A trilogia O Senhor dos Anéis(3 livros), O Hobbit e O Silmarillion.
Não ficou sabendo da promoção? Uai, vê aqui, então!
Vou divulgar o ganhador em primeira mão no Twitter. Então se não me segue, não se esqueça de seguir
Vejam os 60 participantes que concorrerão no sorteio. Hoje é o último dia. Se você não tá na lista porque o mané aqui esqueceu, mas disse que ia colocar, por obséquio, me dê os devidos puxões de orelha nos comentários que coloco!
E muuuuito obrigado a todos que divulgaram o blog! #thanks
- Paula Cristina
- Everton Lopes
- Fernando Piva
- Will
- Cristiano Machado
- ALESSANDRO DE JESUS CASTRO
- César
- Luiz Cledio
- Felipe Stresser
- Aldo
- Filósofo Calvinista
- Thiago Azevedo
- Pereira
- Willy
- Giovani
- Kennedy Lucas
- Wesley Paixão
- Vitor Cid
- Fagner
- Gustavo Rafhael
- Jackson S de Jesus
- Mauro Jr
- Viviane Andrade
- Alex Rodrigues
- Renata Fitarony
- Joserilde “Joseload” Júnior
- Nilson Almeida
- Walfrido Oliveira
- Nelson Costa
- Lê
- Jonathas Tenório
- Joelson Gomes
- Emmanoel
- David Santos
- Fabiana da Silva
- Mirelli Lohaine Souza
- Rosangela Amarina
- Bárbara
- Gardenia Silva
- Bianca Malaquias Duarte
- Cassia Fracacio
- Sergio Moura
- Andressa
- Garon Piceli
- Carine de Araujo Lima
- Jonatas Tosta Barbosa
- Ana Carolina Cavoli
- Cláudia Anderson
- Roseli de Oliveira Santana
- Luciana
- Vitor Ferolla
- João Berkel
- Dalvan
- Werbevan
- Sol
- Cibele Abrahão
- Thiago Matso (update)
- Daniel Peregrina (update)
- William Koppe (update)
- Juliana Diniz (update)
O livro mais mal-humorado da Bíblia
27/02/10
A acidez da vida e a sabedoria do Eclesiastes
O livro veterotestamentário da Bíblia, Eclesiastes, com sua autoria atribuída ao rei de Israel Salomão, é uma das leituras mais indigestas das Escrituras. Eu particularmente como realista que costumo ser, logo muitas vezes pessimista no limite da medida, sou muito atraído a fazer coro com o escritor em suas divagações sobre o sentido da vida.
Ed René Kivitz disseca a mensagem do Eclesiastes numa busca sincera, sóbria e bem clara das constatações de um homem que experimentou tudo aquilo que nossa sociedade procura com tanto afinco: dinheiro, sexo e poder; claro que sobre a premissa de estar à procura da felicidade. Mas, não se intimidem com o fato do livro se basear num escrito pessimista e carregado como Eclesiastes porque mesmo assim a leitura que Kivitz faz é leve e próxima da nossa realidade.
Ed René Kivitz inicia uma viagem e nos convida a refletir com ele sobre como vencer o tédio, o utilitarismo, a morte, a injustiça, a religião, o dinheiro, a pretensão, o crime, a fatalidade, a insensatez, a luta pela sobrevivência, o tempo e, por fim, a ausência de sentido que tantas vezes percebemos num momento ou outro de nossas vidas.
Endosso a leitura d’O livro mais mal-humorado da Bíblia, e recomendo o engajamento nessa busca por sentido e valor na vida. Afinal, contrariando “O pregador”, nem tudo debaixo do Sol é correr atrás do vento…
Uma sucessão de fatos sem sentido ou um conjunto de sentidos sem nenhum fato? Seria essa a vida que você deseja? Qual o tipo de vida que você tem vivido? Muitas pessoas passam anos de sua vida, senão toda ela, buscando um sentido para vivê-la. Alguns o encontram, outros não.No mundo de hoje é fundamental que o ser humano reflita sobre o tipo de pessoa que é e o que está construindo. Eclesiastes é fruto das reflexões de Salomão, o qual – após viver de tudo e desfrutar de tudo, depois de alcançar o trono de Israel, poder e riquezas – conclui que a vida não passa de “vaidade”.Ed René Kivitz investiga a mensagem deixada por Salomão em busca das respostas que a humanidade persegue desde os primórdios e com rara habilidade desvenda o nó da existência humana. Em sua releitura de Eclesiastes, Kivitz nos mostra que é possível vencer os amargos obstáculos da vida e ultrapassar as barreiras do tédio, do utilitarismo, da morte, da injustiça, da religião, do dinheiro, da pretensão, do crime, da fatalidade, da insensatez, da luta pela sobrevivência, do tempo e da ausência de sentido.Eclesiastes retrata a vida como ela é, suas facetas mais obscuras, sem floreios e amenizações. Ed René mostra que existe um sentido para nossa existência e permanência na Terra e revela como encontrar esse sentido tomando as decisões certas, atendo-se ao que realmente importa. Ele enfoca que, mesmo com tantas adversidades, a vida vale a pena ser vivida!
Livro: O Livro Mais Mal-Humorado da Bíblia
Editora: Mundo Cristão
Autor: ED RENE KIVITZ
Promoção de estreia
20/01/10
Não podemos escolher um tempo para viver. O que devemos fazer é viver da melhor forma no tempo que nos foi dado.
Gandalf, na versão cinematográfica de O Senhor dos Anéis.
Apresento-lhes meu mais novo recipiente de ideias inacabadas, confusas e intrigantes. Nascidas da experiência, vivência e reflexão deste que vos escreve. Lugar para conversar, trocar ideias e compartilhar. Para quem não conhece, sou o maluco responsável pelo Tomei a pílula vermelha, blog que a partir de agora será deixado de lado. Entendam os motivos lendo a apresentação no menu SOBRE.
Quero começar para valer este novo projeto sorteando a magnífica Coleção Tolkien [O Hobbit + O Silmarillion + O Senhor dos Anéis 1, 2 e 3].
Como concorrer?
Para participar basta divulgar a promo e colocar meu banner ou meu link em seu blog/site, e deixar seu comentário aqui juntamente com seu nome e endereço do blog. Fácil, né?!

Todos que participarem terão de forma recíproca seus lugares certos em Parceiros e Linkados.
A promoção encerrará em 27/02/2010. Então, é isso aê… valendo!
P.S.: Se você curtia o Tomei a pílula vermelha, não se preocupe… migrei do blogger para o wordpress e nessa transição aproveitei para revisar minha identidade na blogosfera, e o resultado é isso aqui! Aos poucos vou importando os posts de minha autoria para cá e aqueles que julgar valerem a pena ter seu lugar neste espaço. Agradeço a todos os leitores e amigos que fiz com o antigo blog e manifesto aqui meu carinho e apreço por vocês. Aprendi muito com nestes dois anos de blogagem. Agora peço que continuem me acompanhando e reforçando nossa amizade nessa nova etapa… em Cristo, aquele que há de dar um jeito nessa bagaça toda!
Filhos Seguros, Pais Tranquilos
14/01/10
Organizado pelo Volney Faustini, e contando com co-autores, dos quais estou incluído, saiu a primeira versão, ainda no formato digital, do livro “Filhos Seguros, Pais Tranquilos: Entendendo o potencial da Internet e garantindo a integridade dos nativos digitais”.
O livro produzido tem por finalidade uma linguagem acessível e clara para aqueles que entendem a necessidade do cuidado e trato com a Internet e as crianças, adolescentes e jovens, os nativos digitais. É uma busca pela compreensão de termos e gírias próprias do ambiente da web. É um manual que procura analisar a inferência da Internet na integridade e formação de nossos filhos e tenta conceber soluções e dicas que vão de encontro à realidade da Internet.
A distribuição do livro é gratuita. Você pode baixar clicando aqui.
Por que não vou à igreja?
11/01/10
Terminei de ler e estou muito contente com o lançamento do livro Por que você não quer mais ir à igreja?. Já explico.
Há exatos três anos enveredei minha espiritualidade por caminhos, digamos, estreitos e pouco convencionais, portanto, inaceitáveis pela massa evangélica – não só evangélica, claro, mas quaisquer fossem as confissões cristãs. Antes disso detenho uma odisséia da fé comum a muitos dos evangélicos no Brasil: nasci num lar católico negligente com a prática da identificação religiosa; não me lembro se fui batizado ainda bebê e não vou atormentar minha mãe ligando só para perguntar isso. Tentei terminar a catequese, mas achava insuportável e aos poucos deixei de participar. Nunca consegui rezar o terço inteiro. Ficava só imaginando como alguém conseguia! Nunca fui muito apegado à “Virgem Maria”, nem aos Santos católicos e não me lembro de conversar com nenhuma imagem. Como vê não fui um bom católico! Paralelo a tudo isso, mesmo tendo-me como tal, ainda usufruia, com minha avó, dos cultos na Igreja Assembléia de Deus nas férias ao visitá-la. Bom, não posso dizer bem que usufruia porque, na verdade, achava um tédio e sempre esperneava para ir embora. Também, paralelamente, cedia um pouco para o Espiritismo do meu pai. De fato era onde mais gostava de estar, comparando com as missas e com os cultos. A sessão espírita era, com toda certeza, um pouco estranha, mas o ambiente era mais leve. As pessoas eram mais serenas, menos austeras e pragmáticas.
Pois bem, o tempo foi passando e fui ficando menos dependente no sentido de ser levado pra lá e pra cá pela mãe, pelo pai ou pela avó! Já estava crescidinho e podia muito bem decidir sobre minha fé sozinho. Sempre fui muito curioso sobre coisas espirituais. Em minha pré-adolescência gostava muito de ler sobre ocultismo, magia, exoterismo e satanismo. Em contrapartida, também mantinha uma sede pela idéia de Deus. Lembro que ficava divagando sobre Ele até a mente travar; de onde veio Deus? Quem criou Deus? Se Ele é onisciente por que criou tudo sabendo que iria dar em “merda” (com licença da palavra)? Se Ele é onipotente por que deixa tanta gente na mão? Se Ele é onipresente como pode aguentar testemunhar um estupro e não fazer nada?
Era assim, minha mente jovem se aventurando em questões que adultos lidam de forma infantil ainda. E foi como resultado desse perfil questionador que tornei-me evangélico. Toda a discrepância da Igreja Católica frente à Bíblia me deu mais que motivos para converter-me ao Protestantismo. E de fato era protestante mesmo porque a boa nova que me fez trocar de religião foi aquela antimariana, anticatólica, anti-idolatria, antisantos, anti-imagens, etc. E como foi isso que recebi foi isso que dei. Era o que sabia pregar: “a Igreja Católica é idólatra, Maria não é Rainha, foi pecadora e não morreu virgem, só Jesus é mediador entre Deus e os homens, etc”.
A denominação em que passei a frequentar foi a Igreja do Evangelho Quadrangular. Foi lá que comecei a aprender a ser “crente”. Foi lá que ficava espantado e admirado com as manifestações de demônios nos cultos de quarta-feira. Achava o máximo! O período do louvor era o que mais gostava. Claro, o show do pastor também era muito legal! Os pulos, os “tics”, as entonações que pareciam ensaiadas, os gritos de efeito… uau! Era muito talento para uma pessoa só!
Meu primo mudou-se da cidade e como era com ele que ia para a igreja, e foi por intermédio dele que me converti, acabei deixando de frequentar os cultos. Eu era um menino muito pouco entrosado e meu primo era minha muleta social. Então, fiquei desmotivado para ir sozinho para a igreja e fiquei um bom tempo “desviado”.
É isso, já sabia que quem não frequentava a igreja era desviado. Mas, não havia opção! E nesse período, por conveniência, passei a me declarar ateu. Deixe-me explicar isso! Não deixei de acreditar em Deus. O que ocorreu é que eu achava que ateu era aquele que não tinha religião. É, não sei por que não me passou pela cabeça consultar um dicionário. Mas, agora entendo porque as pessoas se espantavam quando ouviam um menino de 10 anos declarar-se como tal.
No meio dessa história toda minhas duas irmãs mais novas passaram a frequentar a Igreja Cristã Evangélica. Minha mãe insistia que eu fosse junto para vigiá-las. E foi assim que acabei criando o maior vínculo eclesial da minha vida. Foi lá que fui batizado. Foi lá que aprendi a tocar bateria e toquei na equipe de louvor. Foi lá que amadureci espiritualmente. Foi lá que passei bons momentos da minha vida (e os piores também, mas isso explico depois). Foi lá que doei minha vida, minha energia, meu talento, minha liberdade, minha adolescência, meu tempo, meus serviços, etc. Só não foi lá que entreguei meu dinheiro porque ainda não tinha renda. Se bem que do pouco que eu ganhava, dando aula de bateria e fazendo desenhos, eu “devolvia” a décima parte como rezava o mandamento. Tá, confesso que eu tinha muita dificuldade para “devolver” o dízimo e algumas vezes omitia a obediência nesse quesito.
Foram sete anos enfurnado dentro da igreja. Não dá para contar tudo que vivi, vi e ouvi em razão disso a não ser num livro. E isso não seria viável, muito menos interessante já que não há nada de interessante. Basta dizer que fui líder, exemplo para os jovens e adolescentes, professor de Escola Bíblica Dominical (detalhe, acho que nunca faltei em 3 anos), menino prodígio da igreja, entendido da Palavra, sábio, maduro, ministro de louvor, pregador e muito chegado ao pastor e à pastora – o que me contemplava ampla visão da liderança da igreja e dos mecanismos internos. Com isso pode-se abstrair a bagagem que carreguei antes dos 18 anos de idade.
Aliás, fica aqui uma dica para os pastores, líderes e afins. Peguem menos no pé da masturbação e procurem tratar de outra coisa mais eficiente no discipulado dos meninos. Só porque somos adolescentes e jovens não quer dizer que o único pecado que existe em nosso mundinho de espinhas está relacionado ao sexo. Sério, era tanta bitolação com a punheta (mais uma vez licença da palavra) que quando ficava uma semana sem onanizar-me sentia que era o maior santo de todos os tempos da última semana. Haviam tantas outras áreas fundamentais a serem transformadas por Cristo em minha vida, e que ocasionariam na melhoria de outras áreas especializadas, que perdi muito esforço e energia lutando contra meus hormônios.
Pois bem, nestes sete anos transitei entre o tradicional, avivado e carismático em suas diferentes formas e estágios. Vale ressaltar que a igreja não caminhou no mesmo rítmo. O que gerou muita fadiga para nós da equipe de louvor. Imagine um bando de crias de BH (quem lê entenda) do interior de Goiás tentando levar uma igreja estagnada a 40 anos ao “mover”? Isso rendeu muito pano pra manga…
Mudei-me de cidade para estudar, trabalhar e, enfim, o famigerado estereótipo do menino do interior tentando alçar voo. Fui morar com meu primo que agora era membro da Igreja Presbiteriana Orvalho do Hermom. Ele já estava entrosado (como sempre) e já ministrava louvor e tal na igreja. Eu cheguei e mantive-me em sua sombra para não perder o costume. Ainda sem aquela desenvoltura para enturmar mas seguro com a presença dele. Devo detalhar que a experiência numa igreja de interior é totalmente diferente da experiência numa igreja de cidade grande. E isso eu viria a descobrir logo.
Depois de um tempo pouco produtivo e motivacional nesta igreja, mudamo-nos para outro bairro. Daí surgiu aquela dúvida: para qual igreja nós vamos agora? Nós tínhamos um Ministério de Louvor e Adoração chamado Adoração em Plenitude. Lembram do lance das crias de BH? Então, é isso… E era muito importante que tívessemos uma cobertura espiritual para que pudéssemos “ministrar” nas igrejas. Sempre perguntavam isso pra gente quando faziam o convite para tocarmos em algum evento: 24 horas de adoração, louvorzão, conferências proféticas, cultos, etc, etc. Nesse período fizemos parte da Igreja Batista Betel, depois da Igreja de Cristo Rocha Viva, depois da Igreja Betesda, depois da Igreja Plenitude de Deus e, por fim, da Igreja Batista Memorial. Essas foram as igrejas que chegamos a ser membros, mesmo que por pouco tempo. Mas, conhecíamos muitas outras, aliás, mais neopentecostais, em virtude do Ministério de Louvor que tínhamos.
Depois de tudo isso, voltando aos três anos atrás, comecei a perceber que nada fazia tanto sentido como pensava fazer. Manipulação, poder, disputas, divergências, divisões, modismos, falsidade, mentira, soberba, autoritarismo, egoísmo, hierarquia, camadas de poder, abusos, oportunismos, alienação, ritualismo, enganação, etc, etc, foram palavras que começaram a borbulhar em minha cabeça toda vez que parava para meditar, refletir e repensar toda minha eclesiologia.
Não foi fácil carregar tantas dúvidas e questionamentos. Não tinha com quem compartilhar pensamentos tão “hereges” e “rebeldes”. Mas, orando, pesquisando e estudando fui me sentido seguro. Por fim, tomei a decisão de não mais ir à igreja. Já era algo que não fazia sentido algum para mim e o fazia por desencargo de consciência. Até que fiquei livre desse tipo de consciência. O verdadeiro desafio era lidar com essa nova realidade: Ser apaixonado por Deus, sentindo-me tão próximo e sincero no relacionamento com Ele como nunca havia sentido – nem mesmo nos melhores tempos de “intimidade” importados de BH – e não ir mais à igreja. As pessoas não concebem essa idéia. Não conseguem imaginar um discípulo de Cristo livre dos cercos institucionais de uma igreja, de uma denominação, de uma teologia, de uma doutrina, de uma “cobertura espiritual” ou de um líder religioso.
E é justamente por isso que me alegro com a chegada do livro Por que você não quer mais ir à igreja? de Wayne Jacobsen e Dave Coleman. Nestes três anos que deixei de ir à igreja tenho visto muitas outras pessoas confidenciando experiências afins à minha. Nestes três anos já não me sinto tão sozinho como no início. É bom ver que a Igreja está se libertando dos templos e rompendo com diversas amarras criadas por homens. Sinto-me alegre por perceber que a sede por Deus e por um relacionamento autêntico com Ele tem sido prioridade na vida de tantos. E estes não necessariamente encerram-se dentro de igrejas. Pelo menos não em igrejas segundo o senso comum.
Estas pessoas percebem que comunhão é algo muito mais profundo e sobrepuja uma simples reunião dentro de um prédio com fachada. Comunhão vai além de ficar olhando para as nucas uns dos outros durante duas horas.
Este livro traz uma história que tem uma mensagem direta, objetiva, simples e libertadora. Para aqueles que não concebem um relacionamento fidedigno com Deus e com outros da mesma fé sem o frequentar semanal à uma igreja institucionalizada, a narração trará uma perspectiva que pode romper com paradigmas. No mínimo trará respostas para as perguntas que mais ouço: Em que igreja você vai? De que igreja você é? Em que igreja você congrega? Em que igreja você assiste? Você é membro de qual igreja? Quem é seu pastor? E, finalmente, por que você não vai à igreja?
Você terá a oportunidade de entender que de fato é possível ser cristão apesar da igreja. E muito mais, que é possível que o que você pensa ser igreja realmente não seja Igreja.
Convido você a ler esse livro que pode lhe causar empatia com a história de Jake Colsen. Talvez seja hora de você descobrir se entregou sua vida à Jesus Cristo ou acabou entregando sua vida à igreja pensando que era pra Cristo.
O Silmarillion
22/10/09
Estou lendo a obra de publicação póstuma, O Silmarillion de J.R.R. Tolkien. Depois que assisti a trilogia O Senhor dos Anéis, que é uma arte à parte, fiquei ansioso por ler a obra literária. Li O Senhor dos Anéis e fiquei apaixonado pelo mundo criado por Tolkien. O cara realmente tinha uma imaginação magnífica e que só pode ser um tremendo dom de Deus. Para que gostou da adaptação cinematográfica endosso insistentemente a leitura do livro – ou livros caso não sejam em volume único. É como diz o clichê, o livro é bem melhor que o filme (rs).
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Publiquei isto no mob de leitura “Livros só mudam pessoas“
A história de um retorno para casa
20/08/09
A Volta do Filho Pródigo está cheia de ambiguidades. Está viajando na direção certa, mas que confusão! Ele admite ser incapaz de fazer isso por conta própria e confessa que iria receber melhor tratamento como escravo na casa de seu pai do que como foragido num país estrangeiro, mas ainda está longe de confiar no amor do pai. Sabe que ainda é o filho, mas reconhece que perdeu a dignidade de modo que possa ser chamado “filho”; prepara-se para aceitar o status de “empregado” de modo que possa sobreviver. Há arrependimento, mas não um arrependimento à luz do amor imenso de um Senhor misericordioso. É um arrependimento que satisfaz ao próprio ego e permite sobreviver. Conheço muito bem esse modo de pensar e sentir. Equivale a dizer: “Bem, eu não poderia resolver sozinho, tenho de admitir que Deus é a única esperança que me resta. Irei a Ele e pedirei perdão, esperando que o castigo seja pequeno e eu possa sobreviver sob a condição de trabalhar duro. Deus continua a ser um Deus severo e julgador. É este Deus que me faz sentir culpado e temeroso, fazendo-me continuar procurando justificativas. A Obediência a este Deus não nos dá a verdadeira liberdade, mas resulta em amargura e ressentimento.
Um dos grandes desafios da vida espiritual é o de receber o perdão de Deus. Há alguma coisa em nós humanos que faz que nos apequemos aos nossos pecados e impede-nos de deixar Deus banir o nosso passado e nos oferecer um recomeçar inteiramente novo. Às vezes até parece que quero provar a Deus que minha miséria é grande demais para que eu a supere. Embora Deus deseje me devolver a total dignidade da filiação, fico insistindo que me contentarei em ser o servo eventual. Mas será que desejo mesmo voltar a ter a responsabilidade de filho? Será que almejo ser completamente perdoado de modo que se torne possível começar uma nova vida? Será que confio em mim e numa regeneração total? Desejo me afastar da rebelião profunda contra Deus e me entregar inteiramente ao seu amor, de modo que uma nova criatura possa surgir? Receber o perdão exige uma absoluta aceitação para deixar Deus ser Deus e fazer toda a cura, restauração e reparos. Enquanto eu mesmo quiser fazer isso, só obtenho soluções parciais, como a de ser um empregado. Como tal, posso manter certa distância, revoltar-me, repudiar, fazer greve, ir embora ou me queixar do salário. Como filho amado, devo exigir todo o respeito e começar a me preparar para ser o pai.
É claro que a distância entre dar a volta e chegar à casa deve ser percorrida com sabedoria e disciplina. A disciplina é a de se tornar um filho de Deus. Jesus aponta que o caminho para Deus é o mesmo caminho para uma nova infância. “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus.” Jesus não pde que eu continue criança, mas que me transforme em criança.
Tornar-me criança é viver à procura de uma segunda inocência, não a inocência de um recém-nascido, mas a candura a que se chega por opção consciente.
Henri J. M. Nouwen, em A Volta do Filho Pródigo
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Estou encantado com a leitura deste livro que há muito tinha vontade de ler. Philip Yancey sempre o citava vez ou outra em seus livros. Se você quer refletir na profundeza da parábola do Filho Pródigo, esta literatura é essencial.
Publiquei esse excerto também no mob de leitura “Livros só mudam pessoas“








