Artigos com o marcador amor
No momento de redenção
23/08/10
Eu não ouço musica evangélica! Desculpe os crentes de plantão e entusiastas do “louvorzão”. Eu não quero chocar ou polemizar mas não é mais possível (para mim, é claro) ouvir a maioria das músicas. Cansei de cantar para mim mesmo cânticos que falam que Deus vai me abençoar, me fazer flutuar, me lançar de cara num alvo como se eu fosse uma flecha (?). O louvor não deveria ser cantado no sentido pecador-divino?
A maioria dos cânticos de hoje transformou o Deus de amor revelado em Jesus em um “personal god” à disposição do usuário pagante, um gênio da lâmpada gerador de bem estar.
A alguns dias eu ganhei o dvd do U2, o 360. Quanta espiritualidade, quanta originalidade. Assistir Bono e sua equipe dizendo palavras tão profundas com tanta singeleza alimenta minha alma da forma com que os “louvores” deveriam fazer. Me enchem não de triunfalismo egoísta, nem de um emocionalismo pseudo-terapêutico, mas sim do Evangelho da Graça que me reconcilia com o Cristo da redenção me colocando em ritmo perfeito comigo mesmo.
Músicas como Amazing Grace, na voz de Bono, me lembram quem eu sou e quem Deus é. Me levam para longe dessas teorias religiosas paganizadas de que Deus só se manifesta se eu tomar a iniciativa, de que Ele é dependente de minhas ações e atitudes. Mas sentado em meu sofá participando ouvindo U2 eu cultuo, cultuo o Deus ilimitado, despadronizado, soberano, que se revela como quer. Cultuo o Deus absurdamente criativo que me surprende, me torno o vaso de barro que pode ser remodelado de varias formas por estar entregue nos braços do exímio oleiro.
O Evangelho está aberto a todos. O Cristo da cruz é o grito de Deus dizendo: “Voltem, venham, podem voltar, eu os recebo sem culpas, estou refazendo tudo, venham”. Só quem foi rendido ouve isso.
“No momento da rendenção
Eu cai de joelhos.
Eu não prestei atenção em quem passava
E eles não prestaram atenção em mim.”
Bono Vox – Moment of Surrender
Gustavo Lima, no blog Calmaria & Êxtase
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No momento de Redenção eu também caio de joelhos… curte aí essa linda canção:
A religião me atrapalha
15/08/10
É no domingo que me sinto mais puto com a religião. Com a religiosidade pra ser mais específico. No domingão aclamado como um dia para dedicar a família e aos amigos, portanto, e implicitamente, a Deus, porque quem diz amar a Deus e não ama o seu próximo engana a si mesmo e é um descarado, e se troca um happy hour com a família ou amigos por um entretenimento religioso cujo a taxa mensal suga escandalosos dez porcentos de sua renda, com o motivo certo de aplacar a consciência e sua dívida semanal com os céus, então, está trocando uma relação com Deus por uma relação de cunho consumista com o serviço ou produto religioso.
Demorei pra sacar isso! Por muito tempo, precioso por sinal, me “relacionei” com Deus por meio de práticas, compromissos e ritos que na medida dos anos provaram-se nada mais que um julgo e um fardo muito do sacana. Troquei muitos domingos com minha mãe por domingos com a igreja desempenhando o papel de prestar os serviços tão caros à religião e seus acionistas. A minha mãe, coitada, como era “do mundo”, corrijo, ainda é, não era dígna de passar tempo comigo, um santo em projeção na igreja. Misturar-me com “mundanos”? Só para falar de Jesus e pregar o Evangelho. Coisa que se resumia a exaltar a moral pregada pela igreja e depois explanar os motivos pelos quais o cidadão vítima do meu proselitismo iria para o inferno caso não acatasse minha lógica sagrada.
Canso de ver famílias e amigos deixarem de comungar de verdade uns com os outros porque têm a piedosa obrigação de não faltar os cultos ou missas ou seja lá como chamem os compromissos sagrados. Nada contra as pessoas se lançarem em suas crenças e ofícios religiosos. É um direito que elas têm, para prejuízo delas, tido como dever. Mas, quando isso me atrapalha… aí é canseira! Afinal, também tenho minhas obrigações no domingo. Dormir até tarde, até que o corpo diga: cheeega, tá bom, já tô novinho em folha! Almoçar com tranquilidade com a galera, com a família, com a namorada ou até mesmo sozinho, tranquilo e sossegado, assistindo ou ouvindo alguma coisa. Na hora em que todo mundo está indo para seus entretenimentos mensalmente pagos, eu geralmente vou para meus entretenimentos, digamos pré-pagos: cinema, pizzaria, sorveteria, shopping, etc. Alguma coisa que não arrombe minhas economias e que possa me dar um pouco de cultura, relacionamentos e escape de uma semana cheia de trabalho.
Até aí tudo bem! Uns vão para o culto ou missa, outros para o cinema ou um lanche com os amigos. O problema é quando esses mesmos indivíduos concorrem o horário e a discrepância de obrigações se cruzam. Nessa hora a religião só me fode…
Como apresentar seu namorado ateu aos seus pais
14/08/10
Seu parceiro pode ser a sua alma gêmea, só que o seu parceiro não acredita em almas gêmeas, porque o seu parceiro não acredita em almas. Ateísmo pode ser aceitável pra você, mas como explicar isso para seus pais evangélicos? Esse vídeo ensina em 10 passos como contar isso a eles da melhor forma possível, ou seja, sem que ninguém morra no processo.
[via Deve ser isso]
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Ser ateu não é brinquedo não! Às vezes me coloco no lugar e tento ser empático, e penso que deve ser muito difícil se acostumar com o preconceito e a rejeição da família, principalmente quando extremamente religiosa. Eu com minhas ideias contundentes no que diz respeito a espiritualidade, religião, igreja, Deus, etc, já senti o que são alguns “olhares atravessados”, fico imaginando se chuto o balde de vez então…
Recomendo a leitura de Fé e Descrença: o drama da dúvida na vida de quem crê, de Ruth Tucker, tanto para ateus e, principalmente, para crentes que gostariam de entender um pouco o lado de quem não é um “super-herói da fé” ou de alguém que sinceramente a perdeu… ou no caso, vive esse drama!
Viver ou juntar dinheiro?
10/08/10
Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30 mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais.
E assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário.
Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei. Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis. Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na conta bancária.
É claro que não tenho esse dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que esse dinheiro me permitiria fazer? Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.
Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.
Max Gehringer [via Jota Mossadihj]
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Às vezes mergulho naqueles momentos introspectivos filosóficos e fico matutando na vida: pouca coisa não gira em torno do dinheiro. Aliás, no momento não consigo me lembrar de nenhuma que não sofra inferência dessa entidade capitalista de forma direta ou indireta. Nem Deus escapou das garras do dinheiro, e hoje é fonte certa de lucros!
Quando li Casais inteligentes enriquecem juntos do Gustavo Cerbasi, me senti meio sem jeito. Porque ou minha namorada e eu somos muito burros ou apenas não abrimos mão de pequenas coisas e experiências “fúteis” como pegar um cineminha, comer no Giraffas, tomar Ovomaltine do Bob’s, ou no meu caso arrebentar no Guitar Hero!
Acho que o fundamental é equilíbrio e bom senso. E isso é de graça, pow! Sair gastando à revelia sem planejamento e economia ou trocar as mãos por cascos de vaca e negar pequenos prazeres passageiros são hábitos sem sentido.
Sabido mesmo era o Tim Maia que não queria dinheiro, né?!











