Artigos com o marcador igreja
A desnecessidade do templo
24/08/10
Nunca se vê no Novo testamento uma única ordem para se construir templos. Quando observamos as orientações aos apóstolos, presbíteros percebemos que ás únicas orientações eram para cuidar de si mesmos, da sã doutrina e do rebanho. Não está escrito construam prédios, preocupem-se com isso, de maneira nenhuma. Isso nunca foi dito.
A exigência de um templo, uma sede, está encarnada na alma cristã moderna, e veja bem, não é qualquer templo, pois foi-se o tempo em que cadeiras de plástico, uma caixa de som e um violão eram necessários. O templo tem que ter cadeiras acolchoadas, ar condicionado, púlpito de mármore e por ai vai. Mera estupidez!
Se os cristãos hodiernos percebessem que a existência ou não de templos não faz a mínima diferença para o verdadeiro adorador tudo ficaria mais fácil. Isso não sou que afirmo, mais o próprio Cristo em seu bate papo com a mulher samaritana. Se os cristãos percebessem que seus lares podem ser um lugar de adoração a Deus, porque afinal de contas a verdadeira igreja não é visível a nenhum olhar humano.
Ah! Se os obreiros percebessem que construir templos não glorifica a Deus, mas ás suas instituições, e que no final, elas não se lembrarão do suor derramado por eles quando construíam os palácios, que de maneira nenhuma poderiam ser para Deus, pois o Todo Poderoso não pode habitar em construções feitas por mãos humanas.
A se voltássemos aos tempos antigos, onde cada lar era uma igreja e cada pessoa era um verdadeiro adorador, poderíamos dizer assim: Aqui se reúne uma parte da igreja de Cristo.
Sola Gratia.
Natanael Tussini, no blog Pense Teologicamente [via Bereianos]
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É possível não depender mais dos templos. Eu sei que é possível! Eu consegui me livrar desse vício, dessa necessidade… mas, só quando você entende profundamente que já é habitação de Deus!
A religião me atrapalha
15/08/10
É no domingo que me sinto mais puto com a religião. Com a religiosidade pra ser mais específico. No domingão aclamado como um dia para dedicar a família e aos amigos, portanto, e implicitamente, a Deus, porque quem diz amar a Deus e não ama o seu próximo engana a si mesmo e é um descarado, e se troca um happy hour com a família ou amigos por um entretenimento religioso cujo a taxa mensal suga escandalosos dez porcentos de sua renda, com o motivo certo de aplacar a consciência e sua dívida semanal com os céus, então, está trocando uma relação com Deus por uma relação de cunho consumista com o serviço ou produto religioso.
Demorei pra sacar isso! Por muito tempo, precioso por sinal, me “relacionei” com Deus por meio de práticas, compromissos e ritos que na medida dos anos provaram-se nada mais que um julgo e um fardo muito do sacana. Troquei muitos domingos com minha mãe por domingos com a igreja desempenhando o papel de prestar os serviços tão caros à religião e seus acionistas. A minha mãe, coitada, como era “do mundo”, corrijo, ainda é, não era dígna de passar tempo comigo, um santo em projeção na igreja. Misturar-me com “mundanos”? Só para falar de Jesus e pregar o Evangelho. Coisa que se resumia a exaltar a moral pregada pela igreja e depois explanar os motivos pelos quais o cidadão vítima do meu proselitismo iria para o inferno caso não acatasse minha lógica sagrada.
Canso de ver famílias e amigos deixarem de comungar de verdade uns com os outros porque têm a piedosa obrigação de não faltar os cultos ou missas ou seja lá como chamem os compromissos sagrados. Nada contra as pessoas se lançarem em suas crenças e ofícios religiosos. É um direito que elas têm, para prejuízo delas, tido como dever. Mas, quando isso me atrapalha… aí é canseira! Afinal, também tenho minhas obrigações no domingo. Dormir até tarde, até que o corpo diga: cheeega, tá bom, já tô novinho em folha! Almoçar com tranquilidade com a galera, com a família, com a namorada ou até mesmo sozinho, tranquilo e sossegado, assistindo ou ouvindo alguma coisa. Na hora em que todo mundo está indo para seus entretenimentos mensalmente pagos, eu geralmente vou para meus entretenimentos, digamos pré-pagos: cinema, pizzaria, sorveteria, shopping, etc. Alguma coisa que não arrombe minhas economias e que possa me dar um pouco de cultura, relacionamentos e escape de uma semana cheia de trabalho.
Até aí tudo bem! Uns vão para o culto ou missa, outros para o cinema ou um lanche com os amigos. O problema é quando esses mesmos indivíduos concorrem o horário e a discrepância de obrigações se cruzam. Nessa hora a religião só me fode…
10 verdades que pregamos sobre 10 mentiras que praticamos
11/08/10
Certo pastor estava buscando levar a igreja à prática da comunhão e da devoção experimentadas pela igreja primitiva (conforme descrita em Atos dos Apóstolos). Logo recebeu um comunicado de seus superiores: “Estamos preocupados com a forma como você vem conduzindo seu trabalho ministerial. Você foi designado para tomar conta dessa igreja e a fez retroceder, pelo menos, uns 40 anos! O quê está acontecendo?”. O pastor respondeu: “40 anos? Pois então lamento muitíssimo! Minha intenção era fazê-la retroceder uns 2.000!”.
Atualmente temos acompanhado um retrocesso da vivência e prática cristãs. Mas, infelizmente, não é um retrocesso como o da introdução acima. Algumas das verdades cristãs têm sido negadas na prática. Como diz Caio Fábio, muitos de nós somos “crentes teóricos, entretanto, ateus práticos”. Segue-se uma pequena lista dos top 10 das verdades que pregamos (na teoria) acerca das mentiras que vivemos (na prática):
I – “SÓ JESUS SALVA” é o que dizemos crer. Mas o que ouvimos dizer é que só é salvo, salvo mesmo, quem é freqüente à igreja, quem dá o dízimo direitinho, quem toma a santa ceia, quem ganha almas para Jesus, quem fala língua estranha, quem tem unção, quem tem poder, quem é batizado, quem se livrou de todo vício, quem está com a vida no altar (seja lá o que isso signifique), quem fez o Encontro, etc e etc. Resumindo: em nosso conceito de salvação, só é salvo aquele que não me escandaliza.
II – “DIANTE DE DEUS, TODOS OS PECADOS SÃO IGUAIS” é o que dizemos crer. Mas, diante da igreja, o único pecado é fazer sexo fora do casamento. Quando um irmão é pego em adultério, é comum ouvirmos o comentário: “O irmão fulano caiu…”. Ou seja, adultério é visto como uma “queda”. Mas a fofoca que leva a notícia do adultério de ouvido a ouvido é permitida (embora, na Bíblia haja mais referências ao mexeriqueiro do que ao adúltero). Estar com o nome ‘sujo’ no SPC é permitido, embora a Bíblia condene o endividamento. Ser glutão é permitido, a ‘panelinha’ é permitida, sonegar imposto de renda é permitido (embora seja mentira e roubo), comprar produto pirata é permitido (embora seja crime) construir igreja em terreno público é permitido (embora seja invasão).
III – “AUTOFLAGELAÇÃO É SACRIFÍCIO DE TOLO”, é o que dizemos crer. Condenamos o sujeito que faz procissão de joelhos, que sobe escadarias para pagar promessas. Ainda assim praticamos um masoquismo espiritual que se expõe em frases do tipo: “Chora que Deus responde”; “a hora em que seu estômago está doendo mais é a hora em que Deus está recebendo seu jejum”; “quando for orar de madrugada, tem que sair da cama quentinha e ir para o chão gelado”; “tem que pagar o preço”.
IV – “ESPÍRITO DE ADIVINHAÇÃO É DIABÓLICO” é o que dizemos crer, mas vivemos praticando isso nas igrejas, dentro dos templos e durante os cultos!
- Olha só a cara do pastor. Deve ter brigado com a esposa.
- A irmã Fulana não tomou a ceia. Deve estar em pecado.
- Olha o irmão no boteco. Deve estar bebendo…
- Olha só o jeito que a irmã ora. É só para se amostrar…
- Olha a irmã lá pegando carona no carro do irmão. Hum, aí tem…
V – “DEUS USA QUEM ELE QUER” é o que dizemos. Mas também dizemos: Deus não pode usar quem está em pecado; Deus não usa ‘vaso sujo’; “Como é que Deus vai usar uma pessoa cheia de maquiagem, parecendo uma prostituta?”.
VI – “DEUS ABOMINA A IDOLATRIA” dizemos. Mas esquecemos que idolatria é tudo o que se torna o objeto principal de nossa preocupação, lealdade, serviço ou prazer. Como renda, bens, futebol, sexo ou qualquer outra coisa. A questão é: quem ou o quê regula o meu comportamento? Deus ou um substituto? Há até muitas esposas, por exemplo, que oram pela conversão do marido ao ponto disso tornar-se numa obsessão idolátrica: “Tenho que servir bem a Deus, para ele converter meu marido”; “Não posso deixar de ir a igreja senão Deus não salva meu marido”; “Preciso orar pelo meu marido, jejuar pelo meu marido, fazer campanhas pelo meu marido, deixar de pecar pelo meu marido”. Ou seja, a conversão do marido tornou-se o objetivo final e Deus apenas o meio para alcançar esse objetivo. E isso também é idolatria.
VII – A BÍBLIA É A ÚNICA REGRA DE FÉ E PRÁTICA CRISTÃS
…Eu sei que a Bíblia diz, mas o Estatuto da Igreja rege…
… Eu sei que a Bíblia diz, mas nossa denominação não entende assim
… Eu sei que a Bíblia diz, mas a profeta revelou que é assim que tem que ser
… Eu sei que a Bíblia diz, mas o homem de Deus teve um sonho…
…Eu sei que a Bíblia diz, mas isso é coisa do passado…
VIII – DEUS ME DEU ESTA BENÇÃO!
…mas eu paguei o preço.
…mas eu fiz por onde merece-la.
…mas não posso dividir com você porque posso estar interferindo na vontade de Deus. Vai que Ele não quer que você tenha… Se você quiser, pague o preço como eu paguei.
IX – NÃO SE DEVE JULGAR PELAS APARENCIAS. AS APARENCIAS ENGANAM – mas frequentemente nos deixamos levar por elas para emitirmos nossos juízos acerca dos outros. Julgamos pela roupa, pelo corte de cabelo, pelo tamanho da saia, pelo tipo de maquiagem (ou a falta dela), pelo jeito de andar, de falar, pelo aperto de mão, pela procedência. Frequentemente, repito: frequentemente falamos ou ouvimos alguém falar: “Nossa! Como você é diferente do que eu imaginava. Minha primeira impressão era de que você era outro tipo de pessoa”.
X – A SANTIFICAÇÃO É UM PROCESSO DE DENTRO PARA FORA (é o que dizemos) – na prática não basta ser santo, tem que parecer santo. Se a tal ‘santificação’ não se manifestar logo em um comportamento pré-estabelecido, num jeito de falar, andar, vestir e de se comportar é porque o sujeito não se ‘converteu de verdade’.
Alessandro Mendonça [via Solomon]
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Fiquei na dúvida se me incluo no “pregamos”… como Paulo recomenda na carta aos Romanos que aquele que tem dúvidas, sobre fazer algo, e o faz, está condenado, porque não o faz por fé; e tudo que não é de fé é pecado, então melhor não me incluir, né!? #tenso
Cristão cartesiano?
02/04/10
Gosto bastante de filosofia! É uma praia que muito me chama a atenção. São tantas vertentes diferentes. Tantos caminhos, tantos modos de pensar, tantas resoluções distintas. Mas, todas envolvem algo em comum: o pensamento. Sem este não haveria sequer Filosofia. Em última instância todos somos filósofos. Ou pelo menos fomos na adolescência. Naquele período de intensos questionamentos. E filosofar é isto: questionar, indagar, pensar.
Gosto do termo reflexivo. E gostei mais ainda do termo “cristão reflexivo”. Não quero fazer alusão à denominação, rótulo ou placa. Não tenho esse espírito sectarista, aliás, tenho aversão ao sectarismo (e vez ou outra isso acaba por me tornar um sectário – rs). Estou querendo dizer que últimamente são poucos os cristãos que pensam. Que questionam, que indagam, que buscam conhecimento. A maioria se deleita em experiências místicas e sobrenaturais (não gosto de usar “espiritual” para descrever fenômenos que fogem ao comum. Para mim espiritual é uma condição permanente do ser, ora mais desenvolvida, ora menos desenvolvida). Se satisfazem (e as vezes não) com um “sharabakantas kanthiunévias ripalahiah dekanthas cih”, ou com a “unção” da última moda (ou, como dizem, do mais novo Mover de Deus!). E buscam uma “intimidade” com Deus que é traduzida em demonstrações públicas de “espiritualidade”, como chorumelas extravagantes, movimentos macacológicos durante a adoração e estripulias impudorosas (não estou a julgar nenhuma dessas manifestações).
A questão é que, tudo isso se resume a apenas isso. Esses irmãos tornam-se ovelhas demasiadamente ingênuas, ignorantes e infrutíferas em seu cercos religiosos. Vítimas de lobos indecorosos e gananciosos em sua estirpe. E se ao menos esses cristãos pensassem um pouco? Não teríamos tanta ridicularização no meio evangélico. São tantas babaquices espalhadas por diversas denominações que isso me assusta. São apenas zumbis que esses líderes do inferno brincam de “vivo”, “morto”. São massas inteiras. Um povo ignorante e pouco preocupado com a Verdade. Seguem ventos de doutrinas, sofismas e falácias com tanta facilidade que acabam por perder a identidade respaldada pelo Evangelho de Jesus Cristo. Muita coisa que vemos por ai não tem nada haver com as Boas Novas de Cristo. Mas nada mesmo…
Estou lendo sobre o Cartesianismo. Uma linha de pensamento da filosofia que tem por principal representante, Descartes. O Cartesianismo explora o questionamento da Religião, da Política, da Moral, da “verdade”. Esse pensamento influenciou os franceses na Revolução, e inspirou tantos outros revolucionários a se posicionarem contra as mazelas em que encontravam-se escravos. O pensamento Cartesiano gera uma insafisfação com o mundo mastigado posto diante de você.
Não tenho gabarito o suficiente para discorrer a respeito do Cartesianismo. E me limito a parar por aqui. A questão que deixo é: Porque quando as pessoas te olham como “crente” ou “evangélico” já pressupõem que você não é muito inteligente? Te veem como um fanático não dotado de cultura? Sequer travam uma discussão política com você por acharem que você não é nem um pouquinho politizado?
Já tive líderes que me achavam insubordinado e rebelde. Não desobediente. Mas, contudente…
Nunca gostei de ser manipulado. O próprio Espírito Santo não me manipula, antes me conduz, me direciona, me compele, me inspira, me atrai, me consola…
Acho que se nós cristãos fossemos mais reflexivos, não caíriamos em tantas tolices como últimamente temos testemunhado.
Feridos em nome de Deus
11/03/10
Ao mesmo tempo que percebo um certo aumento de pessoas abandonando igrejas por inúmeros motivos, certos ou errados, também vejo o crescimento de pessoas que, na maioria sem senso crítico acurado, se entregam literalmente de corpo e alma para estruturas religiosas que servem de impérios pessoais.
O que está acontecendo eu não sei. Mas, sei que no meio dessa “zona” há muitos que são feridos e magoados de formas diversas. O modelo hierárquico instalado nas igrejas autoriza homens travestidos de “ungidos” a, em nome de Deus, causar sofrimentos em crentes ingênuos, ou ignorantes, ou obedientes, ou passivos o suficiente para delegarem suas vidas nas mãos de crápulas cheios daquelas boas intenções das quais o inferno está abarrotado.
É nesse contexto de abuso espiritual que a jornalista Marília de Camargo César traz relatos de histórias de pessoas machucadas por seus líderes, por suas igrejas e por pessoas a quem tinham por “santas”, em seu livro “Feridos em nome de Deus“.
Para quem conhece bem o cenário evangélico no Brasil, tomar conhecimento de histórias de pessoas que foram/estão feridas por causa de limites ultrapassados na relação líderança/liderados não soa nada novo; deveria soar preocupante. Mas, infelizmente esse tipo de abuso só vem ganhando maiores incidências. O livro vem em momento oportuno e urgente. É preciso despertar as pessoas com uma fé frágil e manipulável para a realidade dos sistemas religiosos a que estão inseridas.
Marília de Camargo César, de forma bem sóbria e responsável, traz em seu livro o resultado de entrevistas e pesquisas que procuram apontar um alerta para a igreja: pessoas estão sofrendo abusos e sendo violentadas por líderes eclesiais. E essa violação vai da psiquê ao físico da vítima de “homens e mulheres de Deus” cujo comprometimento maior é com o poder que exercem como tais.
Não pense que este livro não se encaixa a você porque acha que não é um ferido em nome de Deus ou uma vítima de abuso espiritual. A pessoa que sofre essa moléstia dificilmente irá perceber a tempo de buscar ajuda tanto na literatura quanto em ombros e conselhos sábios. Então, principalmente para quem pode ajudar alguém que esteja nessa triste situação é que a leitura faz-se importante.
Vale ressaltar a imparcialidade no trato com o tema. Embora a tendência seja execrar os responsáveis por infligir autoridade doentia sobre os crentes, a escritora mostra também o outro lado; muitas vezes o líder que abusa da dedicação, lealdade e fé de um membro, é antes de todos vítima do próprio sistema. Muitas vezes ele não perceberá que está ferindo pessoas e pisando em cima dos membros em nome de um ministério bem sucedido. Não são todos que têm a cara-de-pau de abusar conscientemente dos membros subordinados.
Se você é líder, seria de grande valia refletir nisso e ler os relatos de pessoas que chegaram ao ponto de abandonar Deus por causa de líderes cujo ministério não tinha nada de pastorear pessoas.











